terça-feira, 9 de abril de 2013



de Tere Penhabe

Numa mesa de boteco
três viúvas proseavam
a cervejinha do lado
ora riam ora lamentavam
viúva pra todo gosto
boa de glúteo ou de rosto
batiam as que lá estavam.

A prosa tava animada
entre venenos e mimos
quando ao falar no leão
uma lembrou seu marido
que não havia no mundo
pra cuidar bem o seu fundo
como o tal do falecido.

A outra viúva se benzeu
não diga isso menina
ele pode é não gostar
dessa lembrança mesquinha
aprenda a fazer o imposto
se não quiser ter encosto
lá na sua escrivaninha.

Pois eu lhe digo que o meu
(desembestou a fulana)
pra pouca coisa servia
a rigor só para a cama
vivia desmantelado
depois de bem arrumado
me deu foi uma banana.

Bem por isso que eu digo
desde quando faleceu
tinha que ser um dos dois?
antes ele do que eu
que ele descanse em paz
eu fico com o capataz
do sítio onde nasceu.

Foi então que a terceira
das viúvas dessa mesa
entre séria e pesarosa
deu sinal da realeza
eu vou contar pra vocês
que nessa dentre nós três
fui eu quem saiu ilesa.

Ninguém pode contestar
eu amava o falecido
vivemos em harmonia
me orgulho muito disso
mesmo que um acidente
tenha lhe feito doente
bem sabem do acontecido.

Falo é da "mortadela"
que do pobre eu quebrei
Deus no céu e eu na terra
sabe o quanto eu chorei
de remorso e de pesar
com medo de precisar
contentar com ela nissei.

Mas graças a São Longuinho
São José e São Sebastião
nem lembro quantos santos
eu tinha presos na mão
orando pela"mortadela"
que eu precisava dela
pedi até a Santo Antão.

Vai daí que um belo dia
meu lamento aconteceu
meu marido tão amado
de repente ele morreu
o meu mundo veio abaixo
minha vida foi pro taxo
 graça e cor ela perdeu.

Igual uma barata tonta
andava pra lá e pra cá
já não via nesse mundo
motivo pra me alegrar
meus dias eram de pranto
sem achar nenhum encanto
passava o tempo a chorar.

Vai daí que me apareceu
um anjo a mando de Deus
tentando me consolar
gastou argumentos seus
quanto mais ela falava
mais o meu pranto jorrava
só queria o marido meu.

Foi então que ela me disse
vamos mudar essa prosa
não chore mais menina
vou lhe fazer uma reza
em breve o falecido
seu tão amado marido
há de lhe buscar na terra.

Aquilo me bateu forte
o choro parou na hora
que diabo de prosa é essa
não quero morrer agora
me aviei com  presteza
pois tinha uma certeza:
ele que se vá embora.

Arribei minha cabeça
toquei a sina pra frente
sempre com muita alegria
com fé e muito contente
fiz da vida uma proeza
até chegar nessa mesa
desse jeito transparente.

Assim terminou a noite
das três viúvas santistas
sem nem reclamar da vida
que isso é coisa de petista
entre cervejas e porções
falando dos corações
em versos de cordelista.

Tere Penhabe
Santos, 08/09/2006
 


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segunda-feira, 8 de abril de 2013


de Tere Penhabe

Casamento é desgraceira
que pega desprevenido
a mulher vira toupeira
irmã gêmea do marido.

Quem acha bom tá passado
da loucura faz é tempo
se existe praga de padre
o seu nome é casamento.

É como chuva de pedra
que destrói tudo que vê
desde o amor que se tinha
à paixão que ainda se tem.

Valia do casamento
é rebento que aparece
fora isso é só tormento
prova dura a quem merece.

Até quem se fez ouvir
"quem tá fora quer entrar
quem tá dentro quer sair"
tá difícil de encontrar.

Eu escutei uma prosa
que casamento é descuido
eu que nunca fui medrosa
chamo mesmo é de castigo.

Desse descuido escabroso
já provei mais de uma vez
e o que tu chamas "descuido"
eu chamo de insensatez!

Se o problema fosse dar
eu não tinha nada contra
mas se o problema é casar
essa ninguém mais me apronta.

Eu subo na ribanceira
pulo direto no chão
mas eu de casamenteira
nem a mando de Lampião.

Se um dia foi loteria
é fácil de esclarecer
virou criminologia
desde o tempo do PC.

Antigamente era o homem
que corria desse feito
hoje a mulher corre mais
pois aprendeu o defeito.

Abono um ditado antigo
esse touro eu pego à unha
se casamento fosse bom
não precisava testemunha.

Eu sei que estão pensando
que eu sou cobra mal-matada
uma sargenta da gestapo
ou uma feiosa mal amada.

Mas estão a se enganar
isso foi só brincadeira
não há nada mais gostoso
que um cobertor-de-orelha.

Como disse o poetinha
assino embaixo no escrito
"_Quantas vezes vou casar?
quantas vezes for preciso."

É bicho do qual não corro
esse tal de casamento
se ele morre e eu não morro
não me culpem do tormento.

Sei que ele é mal falado
mas eu não digo o pior
se dormir sozinha é bom
em dois é muito melhor!

Tere Penhabe
Santos, 01/11/2006

 

sábado, 6 de abril de 2013

Poesias e poemas


Centenário de Luiz Gonzaga

Cordel
I
Centenário de Luiz
Tema bom pra pesquisar
O terceiro ano oito
Como turma exemplar
Escreveu sobre Gonzaga
Para o homenagear.

II
Era treze de dezembro
Na região do sertão
Nasceu em Pernambuco
O divulgador do baião
Conhecido pelo povo:
Lua, Luiz, Gonzagão.

III
A caminho do Juazeiro
Uma cigana passou
Pegou Gonzaga no colo
E então profetizou:
- Esse vai ganhar o mundo!
A profecia vingou.

IV
Cedo deixou Exu
Léguas andou a pé
Na França e em Portugal
Apresentou-se com fé
Sempre olhando pra frente
Sem deixar de ser quem é.

V
Trajetória difícil
No bolso nenhum tostão
Tocava em troca de xepa
Ajudado por Falcão
Com o poder da poesia
Trocou tango por baião.

VI
Com o seu chapéu de couro
Nas noites de São João
Era forró pé de serra
Não tinha tristeza não
Baião, xote e xaxado
Só amor no coração.

VII
Alegre! Contagiante!
Não tinha como ele não
Tocava com euforia
Cantava com emoção
Asa Branca, Assum Preto
O jumento, nosso irmão.

VIII
Versos falam do sertão
Mulher macho, sim senhor!
Padre Cícero, Lampião
Sofrimento e amor
Jeito simples de Luiz
Que o povo consagrou.

IX
Onde o Nordeste garoa
Outro amanhã será
Pedaço de Alagoas
O festão, o Mangangá
Óia eu aqui de novo
E Vamos Xamegar.

X
São João dos Carneirinhos
São João da Capitá
Sangue Nordestino
São João no Arraiá
Meu dedo mindinho
E Serena de Amar.    

XI
A sensualidade
Nos versos está presente
No Xote das Meninas
Que fala de adolescente
E também Cintura Fina
Faz rebolar a gente.

XII
A saudade está nos versos
E o remédio é cantar
O sertanejo exilado
Só pensa em regressar
Voltar à sua terra
Para a saudade matar.

XIII
Sua obra muito vasta
Está ligada ao sagrado
Proteção à natureza
Ao sertão por ele amado
Levou paz para Exu
Amparou desamparado.

XIV
Saudoso Luiz Gonzaga
Famoso compositor
Que além de sanfoneiro
Mais de mil músicas gravou
Moleque, bochudo, zambeta
Que o mundo conquistou.

XV
Grato, Luiz Gonzaga!
Por nos dar tanta alegria
Com o toque da sanfona
E com sua simpatia
Hoje canta com os anjos
Ao lado da Virgem Maria.

XVI
Grande voz nordestina
Em vida foi emoção
Cantou Sala de Reboco
E ABC do Sertão
Hoje é seu CENTENÁRIO
Fica com Deus, GONZAGÃO.

Alunos do 3º Ano E.E.Prof. Francisco Ivo Cavalcante Natal, RN

sexta-feira, 5 de abril de 2013

20 outubro 2009

O sabiá e o gavião


O sabiá e o gavião
(Patativa do Assaré)

Eu nunca falei à toa.
Sou um cabôco rocêro,
Que sempre das coisa boa
Eu tive um certo tempero.
Não falo mal de ninguém,
Mas vejo que o mundo tem
Gente que não sabe amá,
Não sabe fazê carinho,
Não qué bem a passarinho,
Não gosta dos animá.

Já eu sou bem deferente.
A coisa mió que eu acho
É num dia munto quente
Eu i me sentá debaxo
De um copado juazêro,
Prá escutá prazentêro
Os passarinho cantá,
Pois aquela poesia
Tem a mesma melodia
Dos anjo celestiá.

Não há frauta nem piston
Das banda rica e granfina
Pra sê sonoroso e bom
Como o galo de campina,
Quando começa a cantá
Com sua voz naturá,
Onde a inocença se incerra,
Cantando na mesma hora
Que aparece a linda orora
Bejando o rosto da terra.

O sofreu e a patativa
Com o canaro e o campina
Tem canto que me cativa,
Tem musga que me domina,
E inda mais o sabiá,
Que tem premêro lugá,
É o chefe dos serestêro,
Passo nenhum lhe condena,
Ele é dos musgo da pena
O maiô do mundo intêro.

Eu escuto aquilo tudo,
Com grande amô, com carinho,
Mas, às vez, fico sisudo,
Pruquê cronta os passarinho
Tern o gavião maldito,
Que, além de munto esquisito,
Como iguá eu nunca vi,
Esse monstro miserave
É o assarsino das ave
Que canta pra gente uví.

Muntas vez, jogando o bote,
Mais pió de que a serpente,
Leva dos ninho os fiote
Tão lindo e tão inocente.
Eu comparo o gavião
Com esses farão cristão
Do instinto crué e feio,
Que sem ligá gente pobre
Quê fazê papé de nobre
Chupando o suó alêio.

As Escritura não diz,
Mas diz o coração meu:
Deus, o maió dos juiz,
No dia que resorveu
A fazê o sabiá
Do mió materiá
Que havia inriba do chão,
O Diabo, munto inxerido,
Lá num cantinho, escondido,
Também fez o gavião.

De todos que se conhece
Aquele é o passo mais ruim
É tanto que, se eu pudesse,
Já tinha lhe dado fim.
Aquele bicho devia
Vivê preso, noite e dia,
No mais escuro xadrez.
Já que tô de mão na massa,
Vou contá a grande arruaça
Que um gavião já me fez.

Quando eu era pequenino,
Saí um dia a vagá
Pelos mato sem destino,
Cheio de vida a iscutá
A mais subrime beleza
Das musga da natureza
E bem no pé de um serrote
Achei num pé de juá
Um ninho de sabiá
Com dois mimoso fiote.

Eu senti grande alegria,
Vendo os fíote bonito.
Pra mim eles parecia
Dois anjinho do Infinito.
Eu falo sero, não minto.
Achando que aqueles pinto
Era santo, era divino,
Fiz do juazêro igreja
E bejei, como quem bêja
Dois Santo Antõi pequenino.

Eu fiquei tão prazentêro
Que me esqueci de armoçá,
Passei quage o dia intêro
Naquele pé de juá.
Pois quem ama os passarinho,
No dia que incronta um ninho,
Somente nele magina.
Tão grande a demora foi,
Que mamãe (Deus lhe perdoi)
Foi comigo à disciprina.

Meia légua, mais ou meno,
Se medisse, eu sei que dava,
Dali, daquele terreno
Pra paioça onde eu morava.
Porém, eu não tinha medo,
Ia lá sempre em segredo,
Sempre. iscondido, sozinho,
Temendo que argúm minino,
Desses perverso e malino
Mexesse nos passarinho.

Eu mesmo não sei dizê
O quanto eu tava contente
Não me cansava de vê
Aqueles dois inocente.
Quanto mais dia passava,
Mais bonito eles ficava,
Mais maió e mais sabido,
Pois não tava mais pelado,
Os seus corpinho rosado
Já tava tudo vestido.

Mas, tudo na vida passa.
Amanheceu certo dia
O mundo todo sem graça,
Sem graça e sem poesia.
Quarqué pessoa que visse
E um momento refritisse
Nessa sombra de tristeza,
Dava pra ficá pensando
Que arguém tava malinando
Nas coisa da Natureza.

Na copa dos arvoredo,
Passarinho não cantava.
Naquele dia, bem cedo,
Somente a coã mandava
Sua cantiga medonha.
A menhã tava tristonha
Como casa de viúva,
Sem prazê, sem alegria
E de quando em vez, caía
Um sereninho de chuva.

Eu oiava pensativo
Para o lado do Nascente
E não sei por quá motivo
O só nasceu diferente,
Parece que arrependido,
Detrás das nuve, escondido.
E como o cabra zanôio,
Botava bem treiçoêro,
Por detrás dos nevoêro,
Só um pedaço do ôio.

Uns nevoêro cinzento
Ia no espaço correndo.
Tudo naquele momento
Eu oiava e tava vendo,
Sem alegria e sem jeito,
Mas, porém, eu sastifeito,
Sem com nada me importá,
Saí correndo, aos pinote,
E fui repará os fiote
No ninho do sabiá.

Cheguei com munto carinho,
Mas, meu Deus! que grande agôro!
Os dois véio passarinho
Cantava num som de choro.
Uvindo aquele grogeio,
Logo no meu corpo veio
Certo chamego de frio
E subindo bem ligêro
Pr’as gaia do juazêro,
Achei o ninho vazio.

Quage que eu dava um desmaio,
Naquele pé de juá
E lá da ponta de um gaio,
Os dois véio sabiá
Mostrava no triste canto
Uma mistura de pranto,
Num tom penoso e funéro,
Parecendo mãe e pai,
Na hora que o fio vai
Se interrá no cimitéro.

Assistindo àquela cena,
Eu juro pelo Evangéio
Como solucei com pena
Dos dois passarinho véio
E ajudando aquelas ave,
Nesse ato desagradave,
Chorei fora do comum:
Tão grande desgosto tive,
Que o meu coração sensive
Omentou seus baticum.

Os dois passarinho amado
Tivero sorte infeliz,
Pois o gavião marvado
Chegou lá, fez o que quis.
Os dois fiote tragou,
O ninho desmantelou
E lá pras banda do céu,
Depois de devorá tudo,
Sortava o seu grito agudo
Aquele assassino incréu.

E eu com o maiô respeito
E com a suspiração perra,
As mão posta sobre o peito
E os dois juêio na terra,
Com uma dó que consome,
Pedi logo em santo nome
Do nosso Deus Verdadêro,
Que tudo ajuda e castiga:
Espingarda te preciga,
Gavião arruacêro!

Sei que o povo da cidade
Uma idéia inda não fez
Do amô e da caridade
De um coração camponês.
Eu sinto um desgosto imenso
Todo momento que penso
No que fez o gavião.
E em tudo o que mais me espanta
É que era Semana Santa!
Sexta-fêra da Paixão!

Com triste rescordação
Fico pra morrê de pena,
Pensando na ingratidão
Naquela menhã serena
Daquele dia azalado,
Quando eu saí animado
E andei bem meia légua
Pra bejá meus passarinho
E incrontei vazio o ninho!
Gavião fí duma égua!

quinta-feira, 4 de abril de 2013




de Tere Penhabe

Confesso nunca pensei
que nessa altura da vida
tinha tanto pra aprender
coisa que até Deus duvida
e numa roda de prosa
quatro viúvas formosas
colocaram na berlinda.

Para assunto de mulher
de todos, o preferido
inda que não se confesse
quando não se tem marido
é o famigerado homem
seja anjo ou lobisomem
é o que causa alarido.

Dessa vez a abordagem
foi um jogo da verdade
a cerca dos garanhões
com suas dificuldades
pois o tempo implacável
transforma o abominável
numa ex-celebridade.

Quem falou é catedrática:
o que era bom nos quarenta
fica pra lá de custoso
quando chega nos sessenta
com muita fé e oração
consegue a anunciação
só Deus sabe se levanta.

Quem quiser me contestar
não se faça de rogado
estou vendendo o peixe
por valor que foi comprado
não ganhei e nem perdi
pois nunca eu conheci
garanhão acabrunhado.

Mas entrou na minha lista
pra pedir com muita fé
Deus me livre desse fardo
que esse fardo ninguém quer
garanhão fim de carreira
é bom mas só de canseira
e para enfadar mulher.

 Se verdade ou mentira
isso eu não posso falar
mas que causou muito riso
ninguém poderá negar
com álcool ou neutralizada
cerveja faz a mulherada
suas agruras confessar.


O BEM E O MAL
de Tere Penhabe

São dois senhores distintos,
que se conhecem tão bem
há milênios que se encontram
e  que brigam  por alguém.
Há quem diga que o primeiro
nada tem de sensual
mas o segundo, se existe,
é o tal do homem fatal!

Estamos sempre querendo
com o Bem nos encontrar
mas é o Mal que atravessa,
nosso caminho mais vezes
porque o Bem é quase sempre,
um sonho a acalentar
mas o Mal está presente,
em todos os nossos reveses.

O Bem sempre se comporta,
e se veste com esmero.
O Mal é uma coisa torta,
que só leva ao desespero.
Do primeiro nos vem a paz,
a alegria de viver
No segundo está o segredo,
de se viver por prazer.

Eles são tão parecidos,
que muito nos enganamos
Mais de uma vez nós contamos,
a vida inteira com um
quando menos se espera,
é o outro que vem chegando
quase sempre o Mal,
no lugar do Bem ficando.

Ninguém passa por esta vida,
sem aos dois bem conhecer
porém muitos vão embora,
sem nem ao menos saber
se foi o Bem ou o Mal
que em seu coração esteve
passeando em sua alma,
dormindo na sua rede.

Aos amigos é o Bem,
que eu desejo apresentar
mas ao estender a mão,
pode em Mal se transformar
e esse grande segredo
não há como decifrar
é preciso correr o risco,
o Bem e o Mal encarar.

Para aqueles que amo,
o mistério vou desvendar
se quer o Bem conhecer,
e com ele sempre estar
tenha no rosto um sorriso,
e não o deixe se apagar
que o Mal jamais convive,
com um sorriso a brilhar.

Agora vou caminhando,
com o Bem vou me encontrar
mas se na curva da estrada,
o Mal me interceptar
eu conto com o seu amor,
para me fazer voltar
porque só o amor consegue,
o Mal em Bem transformar.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

MEU IRMÃO QUE É DA SAÚDE
HOMEM GRANDE, E DE AÇÃO
NO TRABALHO É JUVENTUDE
NO NAMORO É CAMPEÃO
JosmaRibeiro

terça-feira, 2 de abril de 2013

“O desertor da poesia”

   Para Gerô, uma homenagem em rima.


Ninguém cala o poema
O fruto da inspiração
O sentimento do povo
Nem o pulsar do coração
O poema é o engate
É a válvula de escape
Voz que soa é direção.

Direção contra injustiças
É defensor do explorado
É o desejo da maioria     
É sangria do indignado
É ferramenta perfeita
É a voz insatisfeita
É martelo agalopado.

O poema o acompanha
Se move é emocionante
O atrai pra terra firme
O leva a lugar distante
O poema não se cala
Com taca nem com bala
O poema vai avante!

O poema quando surge
Desce na veia da gente
Passa pelo coração
Depois é que vai pra mente
Onde ele é construído
Com tema já definido
É só seguir a corrente

O poema reivindica
Dá a dica, denuncia.
Pois o poder da palavra
Encrava vira poesia
Retrata história de amor
De esperança e de dor
De tristeza e de alegria.

O poeta e o poema
 Andam com os pés no chão
No mesmo campo-minado
Dos desmandos do patrão
O seu grande objetivo
É pensar no coletivo
Ser solidário a um irmão.

O poema lhe sustenta
Serve como alimento
É usado como arma
Para ele é instrumento
Às vezes a sua caneta
Transforma-se em baioneta
Se lhe ferem o sentimento

Tem rima, quadra, sextilha;
Na de sete, agalopado;
Tem na de dez, na de doze.
Tem rima de pé quebrado
A rima só vale à pena
Quando resolve problema
Ou denuncia um safado!

Quando escrito em vermelho
O poema é censurado
Quando é escrito em verde
É livre, é elogiado.
O azul é a cor mansa
A rima nela descansa
Mas sempre leva o recado.

Um recado para àqueles
Que quando estão no poder
Esquecem dos compromissos
Do povo não quer saber
O poema tem sua meta
Ninguém cala um poeta
Quem nunca viu venha ver

A força do seu poema
Tem norte, tem precisão.
Se o “cabra” está em pé
É derrubado no chão
Pode até se levantar
E o poeta estará lá
Com a rima em construção

O poeta e o poema
Encenam do mesmo lado
 Quando é pra falar de amor
Ou dor de um assassinado
A inspiração exala
O poeta não se cala
Não pode ficar calado.


Só covardia e injustiça
Da polícia temos tido
O Gerô, morto espancado.
Nonato Pudim, sumido!
Às vezes penso, não nego.
Será se agora é Nó Cego
O próximo, o escolhido?

Porque tanta violência
Para com nossos artistas
Vamos dar um basta nisso
Contra atitudes racistas
A coisa tá costumeira
Só resta Nobre e Teixeira
Ou tem alguém mais na lista?

O poema é a voz do povo
 É porta voz da razão
O poema não se aquieta
É   vivo   tem   coração
O poema é formado
Tem p.h.d, doutorado.
É especialista em refrão.

 O poema pra ele é tudo
É sua válvula de escape
Não tendo  porte de arma
A rima é o seu tacape
Depois do esqueleto feito
Não tem juiz de direito
Que dele corra ou escape

O poema é onde o povo
Nele pode se expressar
Lugar de cobrar direito
Poder de reivindicar
Contra toda exploração
Imposta pelo patrão
É o   jornal   popular

Nunca parar  de lutar
Confrontar a  covardia
Jamais deixar de sonhar
Amanhã será outro dia!
Ao poeta um dilema:
Ou continuar em cena
Ou desertar da poesia.