Geraldo
Amâncio é considerado um dos maiores poetas e repentistas do Nordeste
Brasileiro. A riqueza da poesia dele ganhou notoriedade em dezenas de
cantorias e desafios realizados em vários estados da região. Os versos
que se seguem foram publicados pela revista “de Repente”, editada pela
Fundação Nordestina do Cordel, de Teresina, no Piauí. Conta a revista
que num determinado momento da cantoria, um repentista fez esse desafio
para Geraldo:
Eu vou mostrar pra Geraldo
Como se canta um repente.
Geraldo dedilhou a viola e respondeu:
Eita cantador valente
Que tem cantiga com sobra
Veio cantar em fortaleza
Onde o vento faz a manobra
Que boi quando quer morrer
Só pisa em cima de cobra.
Em outra cantoria pediram para Geraldo Amâncio cantar com o mote: “Não há quem substitua a mulher que a gente ama”.
Os dedos escorregaram pelas cordas da viola e o pensamento disparou os seguintes versos:
Ela partiu desde logo,
A outro amor não me entrego
Em ondas de dor me navego
Em mar de pranto me afogo
Pra matar o tempo eu jogo
Dominó, baralho e dama;
Porém junto ao meu pijama
Outra não dorme e nem sua,
Não há quem substitua
A mulher que a gente ama.
Não saberei resistir
Destruo a vida em pedaços
Se das curvas dos meus braços
Por acaso ela fugir,
Para substituir
Essa que me acende a chama,
Eu não encontro outra dama
Do céu, do sol nem da lua,
Não há quem substitua
A mulher que a gente ama.
Para terminar Geraldo deixou um alerta para as mulheres sobre o amor dos homens.
Veja o verso:
O amor de duas feras
Que também se querem bem
Tem o mesmo amor do homem
Quando ama e abraça alguém/
Só não tem a falsidade
Que o amor do homem tem.
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