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Sentença de morte
Papel em branco aceita tudo. Em Vajota (CE), o candidato a prefeito Gentil Pires (PSB) convenceu um adversário a ser seu vice prometendo renunciar dois anos depois. E entregou a ele um papel em branco com sua assinatura. Eleito, Gentil não cumpriu o trato. E a vingança foi cruel: a Câmara Municipal recebeu uma carta-renúncia, onde ele confessava bater na mulher, beber muito e não se sentir “em condições morais” para o cargo. Destituído, ele reconheceu a sua assinatura, mas não a carta.
Moral da história: assinar em branco é a sentença de morte amanhã.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
NASCI NO SITÍO BELÉM
LÁ NASCI E MIM CRIEI
DESDE NOVO EU JUREI
DE NÃO CASAR COM NINGUÉM
POR ORDEM NÃO SEI DE QUEM
COM MARIA MIM ENCONTREI
QUEBREI TUDO QUE JUREI
PASSEI TRÊIS MÊS NAMORANDO
MAIS QUATRO MIM APRONTANDO
COM SETE MÊS MIM CASEI
EU CASEI PRA TER MAIS FÉ
MAIS POR PINTURA DO DIACHO
POR PERTOMORAVA UM MARCHO
UM ILUDIDOR DE MUIÉ
UM TÁ DE JOCA ROMEU
QUE PRO LÁ APARECEU
NACASA QUE NÓS VIVIA
UM JEITÃO MUITO ESTRANHO
OS OLHOS DESTE TAMANHO
REPARANDO PRÁ MARIA
HÁ DISPOIS DO MÊS PASSADO
EU NOTEI QUE TINHA UM SÓSIO
DE NOIS DRUMIR APARTADO
INVENTAVA UM CUCHICHADO
DOR DE CABEÇA E HOUVIDO
UM TÁ DE COIPO DOÍDO
UMAS FRIEIRAS NOS PÉ
ESSAS COISAS DE MUIÉ
QUE QUER LARGAR O MARÍDO
EU VIVIA MIM DIZENDO
TALVEZ NUMCA MIM ACUSTUME
EU MORRENDO DE CIÚME
E OS AMOR DELES CRESCENDO
E AQUELAS COISAS EU VENDO
ELA TODA DEFERENTE
ELE METIDO A VALENTE
PARA ENCURTAR A NOVELA
TRATOR DE BUSCA ELA
NA OUTRA NOITE PRÁ FRENTE
INDA VI ELA SAINDO
JOCA PREGUNTOU POR EU
ELA RESPONDEU
O BESTAIÃO TA DRUMINDO
AQUELAS COISAS EU HOUVINDO
E FUI MIM A LEVANTEI TAMBÉM
ELA DIXE ELE VEM
MAIS NÃO VÁ TREMER A COCHA
AQUELE MEU VEIO É FROUCHA
NUNCA BRIGOU COM NINGUÉM
JÁ ERA DE MADRUGA
QUASE AMANHECENDO O DIA
QUANDO DA FÉ ELA IA
JÁ DESCABANDO A CHAPADA
METI O PÉ NA ESTRADA
PRA VER SE ELA MIM ATENDIA
GRITANDO VEM CÁ MARIA
VOLTA PRONDE TU MORAVA
QUANTO MAIS EU GRITAVA
MAIS A DANADA CORRIA
MAIS SABE O QUE ACONTECEU
COM ESSE AMOR DE NÓS DOIS
COM DEZ ANOS DISPOIS
MARIA MIM APARECEU
DEIXOU O JOCA ROMEU
VOLTOU TODA DEFERENTE
COM OITOS FIOS NA FRENTE
UNS COM TOSSE OUTROS COM GOGO
E EU TENHO COMIDO É FOGO
PRA SUSTENTAR TANTA GENTE
terça-feira, 15 de maio de 2012
letra da musica
Vou pedir licença pra contar a minha história
Como um vaqueiro tem suas perdas e suas glórias
Mesmo sendo forte, o coração é um menino
Que ama e chora por dentro, e segue seu destino
Desde cedo assumi minha paixão
De ser vaqueiro e ser um campeão
Nas vaquejadas sempre fui batalhador
Consegui respeito por ser um vencedor
Da arquibancada uma morena me aplaudia
Seus cabelos longos, olhos negros, sorria
Perdi um boi naquele dia lá na pista
Mas um grande amor surgia em minha vida
Naquele dia começou o meu dilema
Apaixonado por aquela morena
Cada boi que eu derrubava, ela aplaudia
E eu, todo prosa, sorria
Então começamos um namoro apaixonado
Ela vivia na garupa do meu cavalo
Meus planos já estavam, traçados em meu coração
De tê-la como esposa ao pedir a sua mão
Que tristeza abalou meu coração
Quando seu pai negou-me sua mão
Desprezou-me, por eu ser um vaqueiro
Pra sua filha só queria um fazendeiro
A gente se encontrava, sempre às escondidas
E vivia aquele amor, proibido
Cada novo encontro era sempre perigoso
Mas o nosso amor era tão gostoso
Decidimos então fugir, pra outras vaquejadas
Iríamos seguir
Marcamos um lugar, pra gente se encontrar
Mas na hora marcada ela não estava lá
Voltei em um galope
Saí cortando o vento
Como se procura uma novilha, no relento
E tudo em mim chorava por dentro...
E tudo em mim chorava por dentro...
Vieram me contar, que mandaram ela pra longe
Onde o vento se esconde o som do berrante se desfaz
Um fruto do nosso amor
Ela estava a esperar
Fiquei desesperado, com tamanha maldade
Pensei fazer desgraça, mas me controlei
E saí pelo mundo, um vaqueiro magoado
Só porque um dia eu amei
Passaram muitos anos e eu pelo mundo
De vaquejada em vaquejada, sempre a viajar
Era um grande vaqueiro, mas meu coração
Continuava a penar
Um dia eu fui convidado, pra uma vaquejada
Naquela região
Pensei em não voltar lá
Mas um bom vaqueiro nunca pode vacilar
Nunca mais soube de nada do que lá acontecia
Eu fugia da minha dor e da minha agonia
Ser sempre campeão era a minha alegria
Depois de dezessete anos, preparei-me pra voltar
Como um campeão!
Queria aquele prêmio pra lavar meu coração
Mas sabia que por lá, existia um vaqueirão
Começou a vaquejada e uma disputa acirrada
Eu botava o boi no chão, ele também botava
Eu entrei na festa e ele lá estava
Eu fiquei impressionado, como ele era valente
Tão jovem e tão forte, e tão insistente
Eu derrubava o boi
E ele sempre à minha frente
Chegava o grande momento, de pegar o primeiro lugar
Os bois eram mais fortes, ele não iria derrubar
E sorri comigo mesmo: "dessa vez eu vou ganhar"
Quando me preparava, pra entrar na pista
Quando olhei de lado, quase escureci a vista
Quando vi uma mulher
Aquela que foi a minha vida
Segurei no meu cavalo, para não cair
Tremi, fiquei nervoso, quando eu a vi
Enxugando e abraçando
O vaqueiro bem ali
Entrei na pista como um louco
O bate-esteira percebeu
Andei foi longe do boi
"Ah! Isso nunca aconteceu!"
O vaqueiro entrou na pista e eu fiquei a observar
Ela acenava, ela aplaudia e ele, o boi a derrubar
Derrubou o boi na faixa
Ganhou o primeiro lugar
Fiquei desconsolado, envergonhado eu fiquei
Perdi o grande prêmio, isso até eu nem liguei
Mas perder aquele amor
Ah eu não me conformei
Ela veio sorridente, em minha direção
E trouxe o vaqueiro, pegado em sua mão.
Olhou-me nos meus olhos, falou com atenção:
"Esse é o nosso filho, que você não conheceu.
Sempre quis ser um vaqueiro, como você, um campeão!
E pela primeira vez, quer a sua Benção!"
Eu chorava, de feliz
Abraçado, com meu filho!
Um vaqueiro, como eu! Eu nunca tinha visto.
Posso confessar: "o maior prêmio... Deus me deu!"
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